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Há tempos que o termo “exposição” não consegue abarcar as práticas artísticas contemporâneas que absorveram a ideia de expandir a experiência estética para além do projeto moderno. A arquitetura que recebe as obras acaba sempre simulando uma falsa neutralidade (o cubo branco). Difícil anular camadas de história, projeto e memória dos contextos expositivos.

Nessa versão, a performance – um gesto desafiador que trata da potência, mas também da fragilidade do corpo e da subjetividade – assume seu caráter flagrantemente político, que se dá através do corpo de uma performer mulher, suscitando leituras que tangem questões de gênero e feminismo.

Nesse sentido a especificidade da realização de SYMBEBEKOSPIRAL, uma performance/intervenção urbana no espaço público, agrega à performance da artista plástica pernambucana Juliana Notari uma inédita dimensão política, social e cultural.

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Shadow

Na primeira versão (2002) da performance “Symbebekos”, a artista atravessa descalça e vestida de preto um caminho linear, formado por 500 garrafas de vidro transparente quebradas. Sua passagem pelo caminho de vidro não indica sacrifício ou automutilação — portanto, nada tem em comum com a chamada ‘body art’ – mas, ao contrário, tem como método o paciente e cauteloso desvio do perigo, afastando cuidadosamente a ameaça da dor. O foco está no risco, na resistência e na insistência em não ceder às barreiras (o que equivaleria a desviar do caminho), desafiando aquilo que se coloca como impedimento, criando possibilidades onde elas aparentemente não existiam.

Se na primeira versão, Symbebekos, a artista atravessava um caminho linear, agora interessa à Notari transformar o círculo fechado do perímetro em uma espiral: abrir uma saída por entre o círculo de cacos de vidro, forjar uma tangente que aponte para um possível rompimento de movimentos de circularidade e repetição. Trata-se de provocar simbolicamente uma fissura num ciclo cujo eterno retorno, ainda que aponte para uma compreensão cósmica da vida, pode também ser lido em termos geopolíticos, como uma centralidade hegemônica cujos corolários sociais e políticos são a manutenção dos poderes tais como estão distribuídos – o conservadorismo.

Com essa operação, a performance/intervenção urbana SYMBEBEKOSPIRAL costura um tecido de questões que se atravessam e se enriquecem. Transhistoricamente, articulando épocas e contextos distintos, a obra propõe uma reflexão sobre geopolítica e gênero num momento em que o debate do feminismo, da exacerbação dos nacionalismos e, com eles, do conservadorismo, se demonstram prementes. A arte, como um gesto que intervém sobre seu presente, pode contribuir para esse debate.

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